quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

AFORISMOS DE IMANÊNCIA (10)

 
Para entender o regresso dos deuses, o aceitar da luz do sol  terá que ser feito como uma oração, e não apenas enquanto informação metereológica que atrai mais turistas. ©

 
11-12-2013
Eduardo Aroso

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013


AFORISMOS DE IMANÊNCIA (9)

 

Com muita frequência, a dificuldade de relacionamento de duas pessoas resulta de que qualquer uma delas está sempre ansiosa por abrir uma porta no sítio errado, quando devia entrar por aquela que já estava aberta há muito tempo. ©
 
5-12-2013
Eduardo Aroso

 

domingo, 1 de dezembro de 2013


AFORISMOS DE IMANÊNCIA (8)

 
No amor, ou voamos como os pássaros ou ficamos em terra a falar de ninhos. ©

 
1-12-2013
 
Eduardo Aroso

quinta-feira, 28 de novembro de 2013


O SORRISO E O APOIO

 Os anciãos passam. Têm o único apoio na bengala que, de tão frágil, já nem pode ser instrumento de defesa! O chão foge-lhes e às vezes acontece escorregarem nas folhas oleosas dos descuidos urbanos, ou obrigatoriamente nas outras, as folhas deslizantes do calendário. Todavia, olham o mundo. Sorriem ainda. Chamam os pássaros para cima dos bancos do jardim, ou simplesmente à sua memória os da já longínqua infância, que se cruzam com as aves de agora, obrigadas a recrutamentos nos espaços da ecologia.
Os anciãos sorriem e estremecem quando vêem uma criança. Talvez como a tarde se comove com a manhã no que tem de igual e de diferente. Por não falarem já tanto,  sorriem, olhando através das árvores, onde tudo é nítido: o que passou e o que há-de vir. Nesta idade sorriem apenas com um único motivo: a vida justifica-os e dá-lhes inteira razão por vê-los corajosos, à frente, na grande maratona!©

 Eduardo Aroso

27-11-2013

terça-feira, 26 de novembro de 2013


 
AFORISMOS DE IMANÊNCIA (7)
 
 
A energia de sobra que há nas ondas da costa portuguesa contrasta com a nossa actual escassez de força anímica. É a exaltação de Marte e Neptuno (a quem todos obedeceram, como cantou Camões) contra a imobilidade depressiva de Saturno. Até que o desespero de enfrentar de novo o Adamastor nos crie, outra vez, o ímpeto, como também cantou o vate em Os Lusíadas: «Olhai que ledos vão por várias vias»  ©
 
Eduardo Aroso
Novembro 2013 

sexta-feira, 22 de novembro de 2013


CONFRARIAS E MISERICÓRDIAS

Quem conhece a fecunda e longa tradição destas instituições da História de Portugal, sabe que, hoje, são completamente desajustadas estas palavras pelas quais se denominam. Longe vão os tempos, do século XIV, em que na Confraria do Espírito Santo de Alenquer, na Festa do Bodo, clero, nobreza e povo, sentados à mesa, e perante a família Real, os pobres e estropiados, eram servidos antes de tudo o mais! Acto simbólico antecipando qualquer ideologia. Salvo nas confrarias onde ainda, graças a Deus, os pobres irmãos, por exemplo, vestem a sua opa para acompanhar um corpo até à última morada, o ambiente gastronómico que se vive nas actuais ditas confrarias estão muito abaixo das velhas ceias dos últimos tempos da monarquia, onde à volta do borrego assado e do vinho de Colares, já não havia ideias e muito menos ideal!
Quanto às Misericórdias - e porque um bastão tem sempre dois lados - é certo que cumprem ainda um meritório papel humanitário e de interesse social (muito especialmente quando há eleições!). Mas quando a ideia de lucro começou a ser o oxigénio onde todos respiram, o melhor seria mudar o nome na raiz, o de Santa Casa da Misericórdia. Como disse Eugénio de Andrade «as palavras estão gastas».

Entroncam aqui necessariamente alguns aspectos que há na ideia de Estado-Social. Mas é interessante a constatação, no presente, do declínio deste último e a perversão da nossa tradição histórica nas referidas instituições e noutras que não vêm ao caso. O conceito de Estado-Social, uma invenção nórdica emergente dos dois troncos do protestantismo, protagonizados por Lutero e Calvino, feriram de morte a nossa tradição que chega assim aos nossos dias na mais baixa bastardia. Afastamento do nosso vernáculo que, naturalmente alheio à era industrial, a continuar, ter-se-ia que forçosamente aperfeiçoar ao longo dos tempos. Mas muito provavelmente não teríamos esta dolorosa distância onde os pobres já não têm entrada por não poderem pagar a mensalidade… Assim, poderíamos ter evitado, por exemplo, que essas instituições se transformassem em apenas acolhedoras de degustadores, num caso, e de gente idosa, noutro. ©

22-11-2013

Eduardo Aroso

terça-feira, 19 de novembro de 2013


 
AFORISMOS DE IMANÊNCIA (6)

 
Quando em Portugal se diz que o mais alto magistrado da nação deve ser o «presidente de todos os portugueses», representa, esse ideal, no nosso psiquismo colectivo, a restauração da figura unitiva do rei. E quanto mais o presidente se afasta de todos os portugueses mais «o rei oculto» se aproxima. Mas a saudade não é a da figura – porque oculta – mas do «princípio» ou sentido que é o de unidade nacional, sobretudo em tempos de crise.  ©

Eduardo Aroso, 21-11-2013