domingo, 21 de junho de 2015

SOLSTÍCIO DE VERÃO 

É no limite
Que se decide.
Exígua noite
Onde o amor
Dá a curva
Mais acima
Às portas maiores
De Janus e João.
O fogo lavra o céu
Como a água
Fecunda o chão.

Eduardo Aroso ©
2015



quinta-feira, 18 de junho de 2015

CICLOS

Morre-se aqui
Para nascer acolá.
Nenhuma faca corta a vida.

Eduardo Aroso
Abril, 2015

quarta-feira, 17 de junho de 2015

ODE CURTA AO PLUTOCRATA

Não se suspende o poema
Como as pensões de sobrevivência!

Eduardo Aroso
Maio, 2015

domingo, 14 de junho de 2015


EM SANTARÉM
COM A MEMÓRIA DE IBN SARA

Leio nas linhas em desalinho de hoje
Tuas estrofes que já ninguém respira.
A saudade morre e renasce a cada inspiração,
Porque em todo o começo contrai-se o tempo.

Voava pela seda feminina das palavras
O perfume vigilante do salão,
A cintilação da noite
Nas pausas do poema.

Ah, a dor e o destino
Levaram-nos o monarca
No seu cavalo de sonho alado.
Mas a tua estrofe ficou
E ornada de melisma
Tornou-se fado.

Santarém, 12-6-2015
Eduardo Aroso

terça-feira, 9 de junho de 2015

ENDECHA

Quando a primavera irrompeu
Tínhamos o fogo da inocência
Sem que nada martelasse na bigorna.
Tinha que surgir o frio imprevisto
E a dor por ser funda,
Esse hino excelso e lento.
As estrelas teriam que cair todas uma a uma
Para sabermos que as semeamos como quem esgravata no tempo.

Eduardo Aroso ©

Junho, 2015

sábado, 30 de maio de 2015

POEMINHA DO CHAT

Esse belo animal doméstico
Em cujo pêlo
Se catam corredores de ilusão.

Eduardo Aroso
Maio, 2015

sábado, 23 de maio de 2015

APORTUGUESAR  PORTUGAL
(ou a justificação do paradoxo) 

Ansiamos por um D. Sancho I (O Povoador) para ajudar a resolver o grave problema a que se tem fechado os olhos durante décadas, e que está prestes a atingir o auge; a imagem do interior do país é o reflexo da assembleia da república como núcleo de interesses internacionais.
Gritamos por um D. Dinis, como pão para a boca, para evitar que se dizime o que resta dos pinhais e travar a epidemia do eucalipto, ainda que um ex-ministro tivesse afirmado que a dita árvore constitui o «nosso petróleo vegetal» (!).
 Um D. Dinis, Lavrador de Letras, que reforme as universidades do caos a que chegaram, abrindo janelas e limpando corredores labirínticos. Uma Isabel, Rainha Santa, para reformular as Festas Populares do Espírito Santo, ou a Consolação da Alegria sem brejeirice, a efusão do verdadeiro sentido de abundância e não de jactância, expurgando-as da deturpação e da apreensão de Roma, e manter vivo esse pioneiríssimo exemplo das Festas do Bodo, em que, sentados à mesa, Clero, Nobreza e Povo, o pobre era o primeiro a ser servido!
Um D. João I (o de Boa Memória, ao contrário dos governantes de hoje, sem memória) que fale para e com o Povo, e que proporcione a gestação de uma nova «Ínclita Geração».
De um novo D. Fernando, discreto na Corte, mas que sibilinamente olhe pelo património português.
Na convergência, um outro «Ultimatum» para o nosso tempo, muito além do dia de (re!) eleições.
Se a república “à portugaise” que entendeu substituir a monarquia, não é minimamente capaz de resolver as indigestões e congestões do país, então que se demita: mas melhor seria abrir escolas para ensinar a todos que a democracia de Sólon e de Clístenes está por fazer entre nós.

23-5-2015
Eduardo Aroso ©