Tanto por fazer...
Se o silêncio tivesse cor, dir-se-ia que as tem todas ainda num estado dormente e semi-obscuro mas promissor. Horizonte promessa irreversível, semente sem entraves de germinação...
Portugal universal; não o efémero que nos amarra como única realidade nos cárceres escuros onde mataram o Sonho. Poemas e textos, alguns publicados em livros e revistas impressos, outros em blogues e os dados a conhecer aqui, para o domínio público, seguindo o rumo da Criação: a obra nunca está definitivamente acabada.
quinta-feira, 17 de setembro de 2015
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
(Breve evocação de Jorge Luis Borges)
Numa das suas célebres seis conferências, que a editora «Crítica»
de Barcelona coligiu em 2001, Jorge Luis Borges fala-nos de uma BELEZA QUE
ESCORRE CONSTANTEMENTE DO MUNDO. Na verdade, sempre os poetas viram o mundo
mais profundamente, de um modo mais holístico, o que nos tempos actuais
contrasta com a tendência para a temática de motivos emergentes e
simultaneamente mutantes.
Se por um lado é dever
estar vigilante à imanência mais imediata da vida, o horizonte de esperança e
de perenidade (que persiste sobre as catástrofes do mundo em qualquer época) só
pode ser fixado por aquilo que, seja de que modo for, se move como constante
nesta terra de passagem, linha de horizonte presente e alheia às mudanças do
mundo. No mínimo requerido para este deserto de transição seria impossível,
entre os escombros do viver humano, não existir a tal beleza escorrendo como a
luz do sol em cada dia, que teimamos em ver apenas mecanicamente ou
biologicamente com a sua devida importância para a vida vegetal e mais
recentemente nos efeitos sobre a epiderme do ser humano.
Porque até para ver a beleza que escorre dos figos entre os
braços do Verão e do Outono, é necessário chegar perto deles ou tê-los na mão,
essas lágrimas doces e generosas dos deuses, sabendo que muitos desses frutos vão
cair no chão, sem que ninguém os aproveite.
Eduardo Aroso
15-09-2015
quarta-feira, 9 de setembro de 2015
sábado, 29 de agosto de 2015
DE UMA (RE) LEITURA DE
«HISTÓRIA SECRETA DE PORTUGAL DE ANTÓNIO TELMO
Santa Maria, no portal
sul do Mosteiro dos Jerónimos - e cuja
posição arquitectónica a António Telmo não passou despercebida na sua ímpar obra
- lançando o seu olhar sobre o Atlântico, como que acompanhando a frota de
Cabral, parece profetizar sobre a grande civilização do futuro a que se chama
Brasil. De outro modo podemos vê-la, como indizível presença no altar dos céus
que é o Cruzeiro do Sul, constelação que, segundo o emérito astrónomo
brasileiro Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, em «A Astronomia em Camões» a
refere como «uma das glórias dos navegantes portugueses, que a teriam registado
pela primeira vez». Não é descabido, portanto, vê-la com mais ou menos metáfora
no céu nocturno sobre a cruz das quatro estrelas que Camões em «Os Lusíadas»,
VIII, 71, refere do seguinte modo: «Descobrir pôde a parte que faz clara/ De
Argos, da Hidra a Luz, da Lebre e da Ara».
Santa Maria a mesma
Senhora resplandecente sobre uma azinheira no centro de Portugal, e que no
trânsito mistérico se poderá esclarecer talvez um dia se este local, onde, bem
perto, os Templários assentaram praça, tem repercussão com o famigerado centro
do mundo conhecido por Agartha e outros nomes. É deveras interessante pensarmos
que o culto à Senhora, o mesmo é dizer a um supremo princípio maternal e feminino,
foi requerido pelos Templários, guerreiros do lado de fora e secretos do lado
de dentro, mas onde se vê claramente que os dois círculos e até o princípio da
dualidade (veja-se o cavalo com duas figuras, que alguns identificam como o
signo astrológico de Gémeos, o do movimento e das viagens) numa ordem
guerreira, portanto dinâmica e marciana, tenha tido no seu seio a vibração da
candura feminina da Virgem Maria. Já que de planetas também se fala, não me
consta que se tenha reparado num pormenor notável: é que tanto as aparições de
Fátima, de Maio, como as de Outubro se dão nos meses dos signos Touro e
Balança, ambos regidos pelo planeta Vénus, da harmonia e da paz, conhecido
também como a estrela d’ alva ou estrela da manhã e estrela da tarde.
Assim, no olhar benevolente
e cintilante como o mais amplo horizonte ao nascer do sol, a mesma Senhora
vigilante no portal sul dos Jerónimos ou da azinheira do centro de Portugal,
parece confirmar e aguardar serenamente aquela frase que tantas vezes o mestre
António Telmo proferia: «reunir o que está disperso».
© Eduardo Aroso,
29-8-2015, dia de plenilúnio.
EVOCANDO ANTÓNIO TELMO (2-5-1927/21-8-2010) HERMENEUTA DE “DIÁLOGOS DE AMOR” DE LEÃO HEBREU E AUTOR DE “A VERDADE DO AMOR”
A luz intensa e súbita pode cegar. Não se tem dito o mesmo do amor verdadeiro, esse quando irrompe como lava de vulcão, mais em forma de luz do que de temperatura… sobre as emoções rotineiras, vulgarizadas também como afectos, ou desalmadamente sob a forma de “ter um caso”, ou na degradada e absurda expressão “fazer amor”.
Pode amedrontar e em simultâneo causar espanto se o amor surge como uma espécie de epifania. Receio que nos pode paralisar momentaneamente, pois também a isso não ficou imune, na visão, Paulo na estrada de Damasco, onde os seus olhos ficaram cobertos de escamas durante dias. A verdade é que somos, por enquanto, vasos frágeis para conter essa torrente misteriosa que faz estremecer o mundo da matéria, ao mesmo tempo que só ela o pode mover.
Pode amedrontar e em simultâneo causar espanto se o amor surge como uma espécie de epifania. Receio que nos pode paralisar momentaneamente, pois também a isso não ficou imune, na visão, Paulo na estrada de Damasco, onde os seus olhos ficaram cobertos de escamas durante dias. A verdade é que somos, por enquanto, vasos frágeis para conter essa torrente misteriosa que faz estremecer o mundo da matéria, ao mesmo tempo que só ela o pode mover.
Quando esse amor amedronta e causa espanto é também o sinal de que chegou a hora de sermos guerreiros de luz afrontando um falso adamastor que se ergue para barrar a verdadeira aventura divina no campo de batalha mais desamparado e obscuro em que presentemente vivemos.
Se é verdade que houve céu antes da terra, é certo que <a terra antes do céu> tem o sentido da Grande Obra, pois que da terra ninguém se pode alhear seja qual for o nirvana! Quem ergue a espada de luz, afrontando o adamastor do receio e do espanto, tem já dentro de sim a certeza, como se fosse um terraço que dá para o mar imenso de todas as possibilidades que se abrem na linha do horizonte. Também nós, os do Portugal da esfera armilar, queremos o oceano antes do céu.
Cabo Mondego, 20-8-2015
EDUARDO AROSO ©
EDUARDO AROSO ©
quinta-feira, 30 de julho de 2015
sábado, 25 de julho de 2015
AFORISMOS DE IMANÊNCIA (37)
Portugal, nação de muitos paradoxos, morreu (metaforicamente, ou não) jovem, com D. Sebastião, em Alcácer-Quibir, e agora morre na senilidade recalcitrante da figura do actual Presidente da República. Há contudo um outro Portugal a que se pode chamar Alma, que não é tempo, isto é, que só quando se expressa se reflecte no tempo.
Eduardo Aroso
25-7-2015
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