NATAL
Ver para além da chama,
Sentir mais que o calor.
Ao menos uma vez no ano
Não ferir a palavra amor...
No solstício buscamos
À maneira
De quem vai
Ao fundo da casa
Intocável todo o ano,
Onde um não sei quê estremece.
E no milagre da noite,
Reflectida na fogueira,
É uma abóbada de estrelas
Que nos aparece!
Eduardo Aroso
Dezembro 2015
Portugal universal; não o efémero que nos amarra como única realidade nos cárceres escuros onde mataram o Sonho. Poemas e textos, alguns publicados em livros e revistas impressos, outros em blogues e os dados a conhecer aqui, para o domínio público, seguindo o rumo da Criação: a obra nunca está definitivamente acabada.
sábado, 12 de dezembro de 2015
segunda-feira, 16 de novembro de 2015
VARIAÇÕES SOBRE UM TEMA DE FERNANDO PESSOA ©
[ANTÓNIO DE OLIVEIRA SALAZAR.]
António de Oliveira Salazar.
Três nomes em sequência regular…
António é António.
Oliveira é uma árvore.
Salazar é só apelido.
Até aí está bem.
O que não faz sentido
É o sentido que tudo isto tem.
Três nomes em sequência regular…
António é António.
Oliveira é uma árvore.
Salazar é só apelido.
Até aí está bem.
O que não faz sentido
É o sentido que tudo isto tem.
(Fernando Pessoa)
ANÍBAL
CAVACO SILVA
Aníbal
Cavaco Silva.
Três
nomes em sequência definitiva.
Aníbal
é Aníbal
Cavaco
também é árvore.
Silva é
só apelido.
Até aí
está bem
(Fora o
resto que preocupa…).
O que
não faz sentido
É o
lugar que ele ocupa.
(Eduardo
Aroso)©
25-10-2015
segunda-feira, 9 de novembro de 2015
PAISAGENS (1) ©
O Outono é o que dele se quer ver. Mas sobretudo
é o que é. Julgar que se pisam as folhas, quando elas ainda voam… A extensão do
Outono é interrogar uma mutação de claridade. Numa escala larga de tons e
microtons, ou seja, de cores definidas e outras bem menos, que apenas vemos
como sequências admiráveis. É possível ainda recolher melodias fugazes que
chegam aos átrios das aves que se aquietam em ninhos de serenidade.
Eduardo Aroso ©
8-11-2015
domingo, 8 de novembro de 2015
AINDA (E SEMPRE) A QUESTÃO DA
POLARIDADE SOL-LUA ©
A luz da Lua, ainda que nos
chegue de outro modo, é na verdade a luz do Sol, como aliás nos explicitou
admiravelmente Dane Rudhyard em «O Ciclo de Lunação». O facto de qualquer Tradição
Espiritual atribuir ao Sol polaridade masculina e à Lua polaridade feminina, e
para além do que se sabe da influência do nosso satélite sobre nós, leva-nos a
pensar ainda na importância que tem o chamado «princípio feminino» que, neste
caso, se verifica, como veremos, pela sua mobilidade, pelo que não nos custaria
aceitar que este movimento de cerca de 4 semanas é como que uma qualidade ou
atributo vigilante ou de cuidado que sempre presidiu à experiência maternal.
Todos os corpos celestes têm o
seu movimento (até as chamadas “estrelas fixas” ). No caso do nosso Sistema, e
ainda quanto ao Sol e à Lua, esta, relativamente ao primeiro, tem para nós
habitantes da Terra, um papel de maior movimento e proximidade, e, talvez por
isso, dir-se-ia de “assistência imediata”. Sendo que a fonte de luz é o Sol, a
verdade é que, durante o movimento da lua nos cerca de 28 dias do ciclo
inteiro, operam-se várias mudanças, por certo necessárias, nos domínios
geológico, vegetal, animal e humano. Esse papel de maior proximidade, nem
precisaria de uma imagem poética para o relacionarmos com a prontidão e também
proximidade maternal de quem cuida. Assim, as nuances das 4 fases lunares,
durante 4 semanas, contrastam com as mudanças mais lentas da luz solar durante
um ano. E não é descabida a analogia do Outono e Inverno ( H.N.) com a fase minguante
e a Primavera e o Verão com a fase crescente. Poderíamos ir mais além no
alcance do ciclo lunar que, apesar da sua curta mas por certo necessária
duração, está na origem dos primeiros calendários, ou seja, o ser humano
apercebeu-se da «noção de ciclo», verificando a regularidade de certos
fenómenos celestes, quando observava a Lua escura ou quando se ela apresentava
cheia.
A partir daqui – apenas pela
observação da natureza cosmológica, portanto, livres de conceitos mais ou menos
sociais e políticos - poderíamos fazer várias interrogações sobre o papel da
natureza feminina na manutenção e progresso não só dos seres humanos, mas de
todos os outros reinos. Alguma dificuldade se coloca, embora ela faça antever
uma ampliação muito maior do que hoje se toma pela simples ideia de feminino ou
igualdade de género. Inteligente graduação na luz solar, dada pela feminina Lua
(seguramente justificação de haver este nosso satélite), que para nós
terrestres em evolução (dir-se-ia em crescimento) é sinónimo de assistência
imediata e protecção. O que não parece suscitar dúvida, quer pela psicologia
quer pela cosmologia, é que as manifestações do princípio feminino, seja como
for, estão mais próximas de nós, numa sábia e quase mágica plasticidade de
realidades sensíveis e sentimentos. Perante tudo isto, não poderíamos nós,
poeticamente, dizer que globalmente «a Lua amamenta» e também uma espécie de seta
de intuição que nos leva ao passo seguinte?
Não é difícil entender por que os grandes autores, no
complexo enredo das suas obras colocaram a mulher, no seu exaltado princípio
feminino, como guia: Petrarca escolheu Laura; Dante viu Beatriz; Beethoven uma
incógnita amada e musa, e, pelo nosso Luís de Camões, é a deusa Tétis que mostra a Vasco da Gama a grande «machina do
mundo» (Lusíadas, Canto X, 80).
Eduardo Aroso©
8-11-2015
sábado, 24 de outubro de 2015
TOMAR E OS SINAIS ©
Nas paredes altas
Mistério das
dimensões,
Desabrocham
árvores
Incrustadas no
segredo.
Endócrinas e
latejantes,
Arquitectura mais
que vegetal.
Os pássaros sem
idade e o rio
Despertam cedo
Refrescando o
tempo promissor
De haver Portugal.
Na colina do
rochedo
Paira o
guardião-mor,
Ave
Que não morre;
E sussurra a brisa
Nas conchas invisíveis
Sobre portas
talhadas
De outra chave.
Eduardo Aroso ©
Tomar, 23-10-2015
domingo, 18 de outubro de 2015
quinta-feira, 24 de setembro de 2015
A QUESTÃO DA “QUEDA” ASTROLÓGICA
DO SOL NO SIGNO DE BALANÇA ©
(a propósito do Equinócio de
Outono)
Há um ponto obscuro na
astrologia, que raros astrólogos explicitam. O SOL em queda em
Balança, (HN) há-de referir-se ao SOL não só enquanto VITALIDADE (princípio de todas as coisas vivas), mas ainda a um sentido profundo do EU. Vejamos o seguinte: Balança
é o signo natural da 7ª casa, a dos contratos, uniões, parcerias, entre outros
significados. Ora bem, o espaço da 7ª casa até à 12ª é o hemisfério dos relacionamentos,
da vida do EU SOU (1ª casa) com EU SOU COM OS OUTROS, (7ª casa), também chamado
hemisfério diurno, enquanto o hemisfério da individualidade, da 1ª casa
(Carneiro) à 6ª, Virgem é, simbolicamente, o da CONSTRUÇÃO DA INDIVIDUALIDADE,
da PERSONALIDADE.
Quando chegamos a Balança, tempos que VIVER PARA O (S) OUTRO
(S), num conjunto de experiências ao longo do tempo (ou vidas, numa perspectiva mais cósmica) que culminam no sacrifício
final da 12ª casa (Peixes).
Portanto, a queda do Sol em Balança é,
conforme o mito de Sansão, um afrouxamento no plano físico, e espiritualmente
TAMBÉM É UMA ESPÉCIE DE AFROUXAMENTO DA INDIVIDUALIDADE EGOISTA. Repare-se que
em Virgem, há uma SELECÇÃO OU CRIVO do que deve ficar como resíduo para ser INCORPORADO em Balança. Virgem é o símbolo da análise, do peneirar (por isso espiritualmente o símbolo da pureza), ou seja, extirpar o
que não é bom para o ser. Portanto, o Sol que representa a consciência
individual, ou seja, o EU SOU, sendo uma qualidade fundamental da individualização evolutiva, não pode ser excessivo e deve modular-se para EU SOU COM OUTROS (7ª casa, cujo regente natural é Balança) ter a sua “queda” egoica,
para “se dar” aos outros e sair mais do plano físico e personalístico. Por isso nesta casa reina o planeta Vénus, que não representa apenas o equilíbrio, as emoções, a estética, mas toda a capacidade de ATRAIR E COOPERAR EM ESPÍRITO DE GRUPO, cujo apogeu será na 11ª casa, regida naturalmente pela oitava superior de Vénus, o planeta URANO.
Obs. O que se disse é simbólico, mas, por isso mesmo, não menos verdadeiro, sendo que não podemos deduzir, pela lógica cartesiana, digamos assim, que quem nasce sob qualquer signo de Carneiro a Virgem é egoísta! É a posição de todos os planetas no mapa astrológico que permite um juízo global do que se disse sobre o sentido dos hemisférios.
Eduardo Aroso
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