HORA AO RUBRO
Nítida é a pátria
Sobre a nação ausente,
Pedindo a palavra-passe universal.
Descarnados ossos
Reluzentes ao sol
À espera de ressurreição.
Não se cruzam gaivotas com abutres...
Nem os sonhos se abraçam
A pontiagudas lanças.
Uma brisa chega
Leve melodia de canavial;
Sopra do ponto geográfico
Chamado esperança.
Eduardo Aroso
(Cabo Mondego, Julho de 2016)
Portugal universal; não o efémero que nos amarra como única realidade nos cárceres escuros onde mataram o Sonho. Poemas e textos, alguns publicados em livros e revistas impressos, outros em blogues e os dados a conhecer aqui, para o domínio público, seguindo o rumo da Criação: a obra nunca está definitivamente acabada.
segunda-feira, 1 de agosto de 2016
quarta-feira, 27 de julho de 2016
Somos uns tantos milhões de
Cristos em agonia à espera de sair da cruz; cada português é um meio D.
Sebastião que, não tendo organizado a expedição a Alcácer-Quibir, quer
regressar ao Portugal do mistério e do estranho cumprimento; somos uns tantos milhões onde cada um,
emocionalmente, marca o golo da vitória e no dia seguinte não vê a baliza,
rodeada de nevoeiro. Somos muitos Velhos do Restelo, desconhecendo que um grupo
de excepcionais (que fizeram da idade uma equação ou talvez poema); à volta de
uma mesa redonda, pegam nas cartas para o jogo dos quatro elementos.
Eduardo Aroso, 27-7-2016
sexta-feira, 1 de julho de 2016
AFORISMOS (40)
Entramos no labirinto pela porta fatal da ignorância ou do descuido. Para a saída são dadas todas as possibilidades. Antes, porém, é necessário percorrer todos os corredores várias vezes, um quase enlouquecer de desamparo com a promessa de assistência a quem a suplicar. Finalmente, a única saída faz-se em qualquer espaço...
Eduardo Aroso 1-7-2016
segunda-feira, 20 de junho de 2016
DESÍGNIO
Se uma voz me fala e a não ouço,
Serena-me a paisagem
E a certeza de um rumor
Que é destino e viagem.
O rio corre para o oceano
Quem sabe ao fim do mundo;
De oriente a ocidente
Vai-se pelo segredo arcano.
O rio passa sobre a raiz do tempo
E é no fundo oculto das águas
Que se interroga o movimento.
Aquieta-se a torre lá no cimo
Como se a coragem e a fé
Cumprissem um desígnio.
Eduardo Aroso ©
Dornes - Ferreira do Zêzere, 20-6-2016
(Solstício de Verão)
sexta-feira, 17 de junho de 2016
O MENDIGO
Anda pelas
ruas da comunidade,
Mas onde pára
mais é em Bruxelas,
Agora o grande
centro paroquial
Das europeias
e finas favelas.
Com o tempo
foi guardando no bolso
As mais belas
obras - sonhos adiados.
No grande lar
da terceira idade
Estão os ideais
gregos acamados!
A economia
prepara uma grande festa
Transmitida em
directo pela televisão.
Na casa da
Europa uma placa vai dizer:
Aqui viveram
Aristóteles e Platão.
Agosto de 2010
Eduardo Aroso ©
domingo, 12 de junho de 2016
FÁBULA LUSA
Em tempos que ainda estão, numa nação finisterra, havia um bela
capoeira à beira-mar plantada. Ora, um dia, perante o agudo canto matutino do
galo, algumas companheiras fizeram-lhe o seguinte reparo:
- Olha lá, é necessário
que diariamente sejas assim tão insistente e estrondoso? Ainda nem se vê a luz
do dia e já estás a levantar o trompete, arrancando-nos do sono!
- Não é uma questão de ser ou não rei da capoeira e de ter ou
não crista alta; se eu não o fizesse, quem anunciaria a aurora?!
Eduardo Aroso
12-6-2016
terça-feira, 7 de junho de 2016
DA POLÉMICA NUTRIÇÃO
Do erário público
Comem a carne.
Os ossos são para o povo.
Sempre foi assim.
Nada de novo.
Mas sempre existe a cautela
De nunca faltarem ossos
Em quantidade suficiente
(De não haver fome
Completamente)
Distribuídos em certas ocasiões
Mais cedo ou mais tarde.
Porque se assim não fosse
Os ossos seriam dentes
E comeriam a carne...
Eduardo Aroso
Junho, 2016
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