Portugal universal; não o efémero que nos amarra como única realidade nos cárceres escuros onde mataram o Sonho. Poemas e textos, alguns publicados em livros e revistas impressos, outros em blogues e os dados a conhecer aqui, para o domínio público, seguindo o rumo da Criação: a obra nunca está definitivamente acabada.
sábado, 19 de outubro de 2013
VINICIUS ENTRE NÓS
Tropical,
Dizias
E cantavas.
O sol adormecias
E a lua acordavas.
No cristal do copo
Vinho sincopado.
No café com pausas
Via-se a mulher
Soneto aromático.
Dissonante tropical
O acorde-acordo
Modulando saudade
Brasil e Portugal.
Eduardo Aroso
19-10-2013
(Centenário do poeta-compositor)
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
O
SER E O PODER - RESCALDO DE UMAS ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS
(OU
A ENTREGA DE TESTEMUNHO PERANTE AS CAMADAS DO TEMPO) ©
Assim,
de que modo este «nada que é tudo», como acentuou Pessoa, se poderá fazer um
Portugal mais presente numa Europa tão ausente? Muito a propósito destas
eleições, é acutilante o que escreveu Adriano Moreira no DN já em 17 de
Setembro: «Grande parte das alienações que
se vulgarizam tocam nas raízes das comunidades e, portanto, na sua identidade.
Nas crises brutais por que Portugal passou nestes já longos séculos, foi a segurança
da identidade da sociedade civil que permitiu reconstruir um novo futuro».
O sonho nunca foi inatingível, mas é certo que tem
sido método seguro construir do perto para o longe, caminhar do conhecido para
o desconhecido, e, por isso mesmo, a vera cultura política em Portugal deve
começar por estudar a nossa longa e rica tradição municipalista (termo que se
deve sobrepor a autarquia). E é da responsabilidade dos municípios, juntas de
freguesia, escolas e outras instituições, essa tarefa tão bem colocada há já
algumas décadas pelo filósofo Afonso Botelho na sua obra ímpar «Origem e
Actualidade do Civismo».
O que temos vindo a assistir nas últimas décadas,
nas relações dos governantes com o povo, são posturas visceralmente
antiportuguesas e contra a natureza (o mesmo é dizer contra todos os seres) de
indivíduos de uma cultura híbrida mal enxertada (quando mesmo sem enxerto
nenhum), de projectos que trazem carimbos de Bruxelas; de gente que gosta de
tapar relva com alcatrão; posturas e modos de agir (salvo as excepções que
felizmente não são tão poucas!) que têm laivos faraónicos, quando, a todo o
custo, se quer deixar o nome, a data e mais não sei o quê, nas pirâmides de
cimento de cada localidade (só ali não fica mausoléu por impossiblidade). Ou
quando o espírito iletrado, degeneradamente burguês, confunde um vitral com os
azulejos de uma casa de banho.
Seja qual for o poder, de uma pequena comunidade ou
mais centralizado, seja o de um mandato local de uns poucos anos, ou o de
períodos históricos dilatados, ou corrigimos os vícios (de casa pequena de quando
o império era grande) e agimos em consonância entre a epiderme de fazer
transpirar e o anímico do «tudo vale a pena», ou a alternância de poder é
sempre a mesma fotocópia mais ou menos desbotada.
terça-feira, 24 de setembro de 2013
CIDADE AQUI ©
Há esta distância na
cidade:
Entre quem vive e o
vividoEntoa o mesmo e diverso tempo
Um sussurro leve de saudade,
Mas não chega para o afinco
De sermos filhos da voz do vento.
O rio é que faz correr
o elixir,
E dizemos que a urbe
está no sangue O de Inês
E de muitos outros que vai secando nas veias
Por não ter por onde fluir.
Há esta estranha
página colada
Que faz a viragem
errada.A distância da cidade
É o aroma que se perde
Entre a rosa e o caule.
Eduardo Aroso
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
NATÁLIA CORREIA
OU AS ÁGUAS DA MÁTRIA ©
Da ilha sem dimensão
É que vieste,
Solitária, nua e bordada
Da veste branca dos deuses.
Enluarada de um fado
Timbre atlântico,
Névoas distantes
Do oceano futuro
Ainda sonhado...
Quando esmorece
Das águas o rumor,
Ó Tágide sempre, destino nosso,
Vens tu fantasma benigno por amor!
13 de Setembro de 2013
Eduardo Aroso ©
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
ENTRE DUAS CHAMAS
Não é a de dentro:
A primeira destrói;
A segunda, alimento…
É loucura do mal;
A luz de dentro
Alma de Portugal.
Fizeram-na inferno.
Não perece o sonho
No céu eterno.
Os trilhos da cruz.
Com chama ou sem ela
Só Deus conduz!
Setembro, 2013
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