terça-feira, 19 de novembro de 2013


 
AFORISMOS DE IMANÊNCIA (6)

 
Quando em Portugal se diz que o mais alto magistrado da nação deve ser o «presidente de todos os portugueses», representa, esse ideal, no nosso psiquismo colectivo, a restauração da figura unitiva do rei. E quanto mais o presidente se afasta de todos os portugueses mais «o rei oculto» se aproxima. Mas a saudade não é a da figura – porque oculta – mas do «princípio» ou sentido que é o de unidade nacional, sobretudo em tempos de crise.  ©

Eduardo Aroso, 21-11-2013  

AFORISMOS DE IMANÊNCIA (5)

 O facebook é mais a estreiteza do momento do que a eternidade do momento. ©

19-11-2013
Eduardo Aroso

 
AFORISMOS DE IMANÊNCIA (4)

Há em Portugal uma linha genealógica de traição ininterrupta que vem desde os Filipes a Durão Barroso; do administrador dos bens da corte de D. João V a Vitor Constâncio ©.

Novembro, 2013
Eduardo Aroso




segunda-feira, 11 de novembro de 2013


 
AFORISMOS DE IMANÊNCIA (3)

 
A minha saudade não é unilateral. O encontro é meu com o tempo; encontro de quem sente com a perenidade do que foi alguma vez sentido. Só há desejo plenificado noutro desejo. ©

 
Novembro de 2013 (num lugar do planeta Terra)
Eduardo Aroso

AFORISMOS DE IMANÊNCIA (2)

 
Uma nação com quase nove séculos de História não pode ser um «haiku». Na verdade, a nossa epopeia não cabe em três versos! Camões demonstrou isso nos Lusíadas, antes mesmo de ser necessário fazê-lo. ©

 
11-11-2013
Eduardo Aroso

domingo, 10 de novembro de 2013

AFORISMOS DE IMANÊNCIA (1)

Por que será que poucos reparam no fantástico tempo que vivemos que, de tão intenso, nos deixa negativamente perplexos?
16:25 h
10-11-2013 
Eduardo Aroso 

sábado, 9 de novembro de 2013


A DISTÂNCIA, O TEMPO E A «VERDADE DO AMOR» DE SOLOVIEV

 
Sobretudo nas últimas décadas, vencida relativamente a distância pelos meios que estão à vista, bem mais difícil se torna vencer o tempo, já que este, ao contrário da primeira, parece ser o efeito de uma metamorfose da matéria. O corpo humano desgasta-se mais no tempo do que uma rocha e do que o próprio sistema solar que permanecerá ainda milhões de anos!

Mas a busca para vencer o tempo continua, porque, em boa verdade, já há muito sabemos que existe um tempo objectivo (Cronos) e um tempo subjectivo (que pode ser atribuído a Urano). É bem conhecida a imagem clássica da sensação de tempo tão diferente que decorre quando dois namorados passeiam agradavelmente ou a de um condenado numa prisão. O domínio do tempo – inquestionavelmente uma ambição máxima do homem – parece estar relacionado com o mergulho num ponto central, de onde tudo emana, na imagem da circunferência com o ponto. O Tao diz-nos algo sobre isso bem como a filosofia rosacruz (dada por Max Heindel) que na sua Cosmogonia refere que (ao contrário de um “light new age”)  os mundos não são paralelos, mas concêntricos. Neles a sensação de tempo depende da vibração desses mundos: quanto mais denso (o caso do nosso mundo físico) mais sensação de tempo.

 Mas é nele que estamos. Nicolau Berdiaeff (1874-1948) em «Cinco Meditações sobre a Existência»  examinou habilmente – e de um modo nem sempre fácil para o leitor – a velha e nova questão do tempo. Mas já que falei num ponto central, há que falar também de V. Soloviev (1853-1900), quando trata o tema do amor. No fundo, é ele que tudo regenera, e diria que regenera todos os tempos nas clássicas formas passado presente e futuro, porque, assim, até este último se constrói melhor. E o que pode parecer mais estranho - mas não tanto! - é que o Amor é algo sempre existente, não dependendo da acção humana, para começar ou acabar; apenas nos momentos mais fatais pode ser interrompido ou modulado.

É claro que não se trata do sentimento da grosseira expressão “fazer amor”, que tomou conta de nós numa das maiores ilusões do relacionamento entre pessoas.  ©

 
Eduardo Aroso, 9-11-2013