quinta-feira, 20 de março de 2014

EQUINÓCIO DE MARÇO
 
A primavera é a queda do trono de uma rainha ilegítima chamada morte. Nem sequer esta tem tempo de abdicar.No calendário cósmico, a cadeira-toda-poderosa-da-vida é ocupada pela mais bela princesa. Diz a lenda que ela não tem princípio nem fim, apenas se mostra em mágicas metamorfoses quando chega o tempo certo. É a amada de todos. O ser humano pode sofrer muito até encontrar o fio de Ariane para sair do labirinto. Todavia, a primavera é fatalmente esse fio que a Vida toma sempre numa espécie de perpetuação. Princesa já rainha celeste, mais bela que Nefertiti e mais sagrada que um profeta. 
Eduardo Aroso, 20-3-2014 

segunda-feira, 10 de março de 2014


 
AFORISMOS DE IMANÊNCIA (17)

 
O mito da eterna juventude é na verdade um grito do espírito que encontra obstáculo numa parede chamada carne. ©

Eduardo Aroso, 10-3-2014

quinta-feira, 6 de março de 2014


 
HOJE ©

Um sol de oiro
Abre-se sobre o rio.
As margens cintilam
De salmos primaveris
E uma voz antiga desfolha
Pétalas de amor.
Ouve-se de novo:
«São rosas, senhor!»

 
Coimbra, Santa Clara, 6-3-2014
Eduardo Aroso

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014


AFORISMOS DE IMANÊNCIA (16)  ©

 
Sozinho é a única maneira de eu atravessar o deserto. Acompanhado não é o deserto, mas sim outro caminho.
 
Eduardo Aroso
26-2-2014

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

AGOSTINHO DA  SILVA
- EVOCAÇÃO

 
Sulcando o horizonte
Sem linha final,
Na ousada façanha
De mais além,
No pico da ânsia
Foste português universal
Outro sermão da montanha.

 
Eduardo Aroso,
13-2-2014

 

 

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014


AFORISMOS DE IMANÊNCIA (15)

 
Quando vejo uma criança sorrir é que entendo bem porque existem nuvens brancas no céu. ©

Eduardo Aroso
5-2-2014

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

PORTUGAL DA HORA NOSSA ©

                      Ao Paulo Borges

 
Incarnado hoje em ser de novo Creta,
No mar obscuro dentro,
O labirinto mudo
Encerra a voz secreta
Do inteiro ciclo no momento
Da apoteose de tudo
Que faz ver além do nada…

 Em que fio nos seguramos
- Anseio de Ariadne -
Neste finistérreo grito,
Mão divina, corpo de tágide,
Para a gávea nunca vista
Sulcando de amor o infinito?

 
Eduardo Aroso
3-2-2014