sexta-feira, 9 de maio de 2014

AFORISMOS DE IMANÊNCIA (20)

 Para uma visão de largueza, na janela manuelina, há que passar a porta que ninguém abre por outro.  A porta é a mesma e cada qual tem uma chave diferente. Este é o paradoxo legítimo que  está também à porta do que (ainda) não se compreende!
Eduardo Aroso
9-5-2014

domingo, 4 de maio de 2014


TESTAMENTO VITAL ©

Um dia,
Murchas as pétalas,
Cairão todas no recinto sagrado
Do coração.
Aí se arquiva a eternidade.
Em qualquer dos casos
Os pássaros cantam sempre
Num tom materno de claridade.

Eduardo Aroso
4-5-2014

 

quinta-feira, 24 de abril de 2014

ABRIL,
SEMENTEIRAS MIL ©

 
Rente ao desânimo
Afugentemos a morte
Com cravos e rosas.
Dobremos o cabo,
(Tormentas de hoje)
Com melhor sorte.
A terra prometida
Não deu o fruto esperado.
Lancemos o grito
E outra vez
O arado.

 
Eduardo Aroso
Abril, 2014
METAMORFOSES DE ABRIL  ©

Na revolução por fora
Poisa sempre o sol;
Calor ansiado
Da demora.
Mas é da carne do fruto
À semente ou caroço,
Que deve haver alvoroço!

Abril, 2014
Eduardo Aroso
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


segunda-feira, 21 de abril de 2014


 
MEA CULPA ©

 
Ó Povo!
Amado,
Chamado.
Flor de emoção,
Palavra ardente
Nas datas certas
Do nosso consolo.
És sempre, sempre
A cereja no bolo!

 
Abril, 2014
Eduardo Aroso

sexta-feira, 18 de abril de 2014

ECCE HOMO ©

 
- Tens que beber o fel!
Confundido com o sangue
Que as lágrimas de suor
Já não contam para nada!

Assim decretaram sem papel
Os serviços prisionais de então.

Cá fora entre a multidão
Uma antiga voz de profeta
Clamava aos povos vindouros
De dois milénios da nossa era:
A agonia vai ser suavizada,
Informaticamente distribuída,
E os Pilatos serão outros!

 
Eduardo Aroso
Páscoa 2014

segunda-feira, 14 de abril de 2014


 MARGINALIDADE – o que te fizeram!
Como quase tudo actualmente, seguiu ela também a tendência de a nivelarem pelo mais baixo. O que caracteriza a saudável marginalidade do ser humano são - ao contrário do rio que tem apenas a margem esquerda e a margem direita – múltiplas formas de criar em desejada originalidade e de se expandir, em face de um clima sócio-cultural oficial ou oficializado, que faz sempre os seus prosélitos, que, com o passar do tempo, vicia e degenera quantas vezes sem atingir a verdadeira ortodoxia ou incisão histórica.

Na sociedade portuguesa parece existir apenas um modelo legítimo, por isso aglutinador, dos que discordam do nítido mal-estar, do não pensar, do mau governar. Curiosamente, é esse modelo que em certos momentos, um pouco à semelhança de certa rotatividade democrática, colhe frutos ocasionais e aprecia muito recebê-los!...

No nosso panorama cultural, quer antes quer depois de Abril, os que tentaram arduamente fugir desse paradigma não têm sido aceites da mesma maneira que os referidos de certa rotatividade. O chamado grupo da «Filosofia Portuguesa», marginal desde sempre, está entre esses. Quem conhece a sua génese, o caminho percorrido, verá que, à parte uma ou duas figuras que a alguns “dá jeito pôr na lapela” nunca são tidos para nada, nem para reforçar outros marginais ao sistema - e muito menos os seus textos são estudados nas universidades.
Mas a condição humana de marginalidade não é a mesma do rio com as suas duas margens.

Eduardo Aroso, 14-4-2014