AFORISMOS DE IMANÊNCIA (27)
Não duvides: a resposta para a tua pergunta está na interrogação seguinte.
Eduardo Aroso
20-12-2014
Portugal universal; não o efémero que nos amarra como única realidade nos cárceres escuros onde mataram o Sonho. Poemas e textos, alguns publicados em livros e revistas impressos, outros em blogues e os dados a conhecer aqui, para o domínio público, seguindo o rumo da Criação: a obra nunca está definitivamente acabada.
domingo, 21 de dezembro de 2014
quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
A PALAVRA (SEMPRE) UMBILICAL
Mudar
o barrete vermelho e branco – que se cola ou coca-cola - pela dignidade da
palavra.
Converter
a guloseima feita do acidificante açúcar industrial pela broa sem milho
transgénico.
Provar
(ainda) o silêncio da chama da lareira, ou apenas desse levíssimo rumor de
memórias, na difícil pausa que interroga e depois responde.
Com
ou sem fumo da chaminé, a voz como línguas de fogo, iniciando o calendário da
esperança na primeira folha que se abre no escuro mais longo do solstício.
A
reverberação da palavra no alpendre, à entrada de tudo, no pátio ou no café, ou
no espaço maior de todos nós, filhos deste tempo, porque dele somos todos
sem-abrigo.
Plasmar
o verbo na noite contraída por tanta lembrança e, olhando o horizonte nocturno,
no propósito de nunca pronunciar em vão o presente do indicativo do verbo Amar.
Eduardo
Aroso ©
Natal,
2014
quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
TRÊS POEMAS DE
NATAL
À memória de José Ledesma Criado e em amizade com outros dois poetas: António Salvado e
Alfredo Pérez Alencart.
1
Renovar a carne
Para que não seja
sempreA mesma limitação.
Quero-a ágil
E que me responda como o vento.
Todo o momento é frágil
Até que as pedras sejam todas luz.
Renovar a carne
É escutar pela noite dentro
A esperança das velhas profecias
E o vigor de semear hossanas,
Boa-nova das madrugadas,
Salmo dos dias.
No frio carinhoso do solstício de Dezembro.
Astros e estrelas: pirilampos da Criação!
E nem as trombetas dissonantes
Que apupam este mundo imundo,
Os podem assustar.
A obstetrícia rodeia incessante
A gestação divina que ultrapassa
Além das nove luas
Aquele que nasce – sempre disposto a nascer –
Dissipando a morte, libertando mais
Que a abolição da escravatura.
Pois nós é que temos de subir…
E o deserto existe
Para que a água sacramentada
Na areia seja salvação.
Sei que alguém gostaria
De ter estrelas na mão
E livrar-se
Do exercício benéfico do longínquo.
A sapiência enrola-se à maneira do caduceu
No bordão do peregrino.
Natal, 2014
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
sexta-feira, 14 de novembro de 2014
LINHA DA LOUSÃ
©
(À memória do poeta brasileiro Manuel Bandeira
que escreveu «Trem de Ferro» e do compositor, do mesmo país,
Heitor Villa-Lobos e da sua obra «Trem Caipira»)
De ferro era o trem.
Não o que a gente tem.
Pouca-terra, pouca-terra,
E para transporte novo
Muito voto, muito voto,
Pouco-povo, pouco-povo!
Da Portagem e Calhabé
Passa o rio e passa Ceira,
Passa Trémoa e Miranda
Em Lousã até Serpins.
Acabou-se então o sonho
Aqui na serra desta banda....
Caros Heitor e Manuel,
Aqui temos pneu caipira
Para assim servir a linha
Alinhada neste carril
Democracia de cordel.
De ferro era o trem.
Não o que a gente tem.
Eduardo Aroso ©
14-11-2014
(À memória do poeta brasileiro Manuel Bandeira
que escreveu «Trem de Ferro» e do compositor, do mesmo país,
Heitor Villa-Lobos e da sua obra «Trem Caipira»)
De ferro era o trem.
Não o que a gente tem.
Pouca-terra, pouca-terra,
E para transporte novo
Muito voto, muito voto,
Pouco-povo, pouco-povo!
Da Portagem e Calhabé
Passa o rio e passa Ceira,
Passa Trémoa e Miranda
Em Lousã até Serpins.
Acabou-se então o sonho
Aqui na serra desta banda....
Caros Heitor e Manuel,
Aqui temos pneu caipira
Para assim servir a linha
Alinhada neste carril
Democracia de cordel.
De ferro era o trem.
Não o que a gente tem.
Eduardo Aroso ©
14-11-2014
sexta-feira, 7 de novembro de 2014
PANORAMA
- DOS
CLÉRIGOS AO DOURO
A Paulo Ferreira da Cunha
Garantindo o direito de haver dia,
O ímpeto benigno da manhã.
Antes do rio de onde chega sempre
A síntese das quatro estações,
Pessoas cruzadas
Xadrez de vibráteis direcções.
Tudo começa na saudação audível
A toda a largura da rua
Sob o olhar das pombas que sem receio
São elas que se apresentam.
A cidade respira melhor
Quando os alvéolos se movimentam.
Porto 19-10-2014
Subscrever:
Mensagens (Atom)