terça-feira, 27 de janeiro de 2015

AFORISMOS DE IMANÊNCIA (29)
(Auschwitz - 70 anos depois)

Não se ignore o estertor da ferida, mesmo que ela não esteja em nós. O ser humano é o feroz animal imprevisto que, matando, morde a si mesmo, ferindo-se e ferindo o tempo: e depois esquece...

Eduardo Aroso
27-1-2015

domingo, 18 de janeiro de 2015

AFORISMOS DE IMANÊNCIA (28)
 
É possível (e desejável) laborar com o martelo, mas sem ruído de martelo. O verdadeiro aroma desprende-se no silêncio, ou (numa linguagem mais prosaica), de se ser discreto.
Eduardo Aroso

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015


A DIFICIL VISÃO

 Hoje uns caminharam na passerelle,
outros talvez no fio da navalha.
Alguns eram apenas eles
e muitos quiserem ser além
do que o próprio destino talha.
Não era tanto pela mão na mão
que mata noutros campos
onde se pensa que não há ninguém…
Mas todo o mundo subiu um degrau
para abrir a janela única da inclusão.

 

Eduardo Aroso ©

11-1-2015

terça-feira, 30 de dezembro de 2014


AS CIDADES E A VIA

                          A Edmundo Teixeira, in memoriam

 
Oh, Babilónia, Oh, Jerusalém!
Irmãs desencontradas, não conheceis
A verdade da vossa natureza
Na luta que há tanto se mantém?
Pois não ouvis a voz do Alto
Que mostra Reino de maior grandeza?!

Em ti, Babilónia, se ergue a perdição
Nos degraus que subimos de egoísmo
Quisemos a torre funesta da confusão
Crescendo de caos e materialismo.

E vós, Jerusalém, ruas ainda desertas,
Futuras searas e vinhas do Senhor.
Quando se levantam almas despertas
Nas madrugadas voluntárias do amor?!

Eduardo Aroso ©
Natal de 2014

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

A CHAMA E A DISTÂNCIA

 
Dava-te o fogo mais fogo
E só poderia ser
O que em mim acendeste.
Em labaredas vivas
Eu percorria
O longe que se fez inevitável.
Na planura do deserto e no íngreme da montanha
A minha ânsia seria um corcel alado.
Tudo
Para estares comigo
À fogueira neste dia.

 
Eduardo Aroso ©
22-12-2014

domingo, 21 de dezembro de 2014

AFORISMOS DE IMANÊNCIA (27)

Não duvides: a resposta para a tua pergunta está na interrogação seguinte.

Eduardo Aroso
20-12-2014

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014


                                       A PALAVRA (SEMPRE) UMBILICAL

 Substituir, no possível, a informática anarquizante e às vezes obscura, pela informática de proximidade, mesmo que possa bloquear pela respiração e transpiração das pessoas.

Mudar o barrete vermelho e branco – que se cola ou coca-cola - pela dignidade da palavra.

Converter a guloseima feita do acidificante açúcar industrial pela broa sem milho transgénico.

Provar (ainda) o silêncio da chama da lareira, ou apenas desse levíssimo rumor de memórias, na difícil pausa que interroga e depois responde.

Com ou sem fumo da chaminé, a voz como línguas de fogo, iniciando o calendário da esperança na primeira folha que se abre no escuro mais longo do solstício.

A reverberação da palavra no alpendre, à entrada de tudo, no pátio ou no café, ou no espaço maior de todos nós, filhos deste tempo, porque dele somos todos sem-abrigo.

Plasmar o verbo na noite contraída por tanta lembrança e, olhando o horizonte nocturno, no propósito de nunca pronunciar em vão o presente do indicativo do verbo Amar.

 

Eduardo Aroso ©

Natal, 2014