terça-feira, 21 de julho de 2015

VERÃO 

As tardes de Julho suportam intervalos longos e estranhos, onde a consciência às vezes oscila entre cá e lá, desafiando qualquer fronteira. A ilusão de Cronos, vertida em nós, esse deus que apenas dura neste mundo, na vestimenta dos mortais. Orgulha-se porém de ser o guardião do exacto movimento de rotação da Terra. E assim nos alimenta de luz e dinamismo para o tempo singular de cada um, para as nuances que afloram em cada sentimento humano.
Cada um sentado à sombra subjectiva do banco de jardim, onde cada qual é um relógio onde se conta o tempo de outro jeito. Que façanha maior (a de um dia), obra mais alta, será a de pulsarmos todos - nem que seja por momentos - no mesmo ritmo misterioso de existir, na mesma respiração para o grande acorde da Vida!

Eduardo Aroso
21-7-2015

domingo, 19 de julho de 2015


RAZÃO NATURAL ©

Porque se o vento passa
É para trazer e levar:
O que nunca ouvimos dos segredos
Sob as pedras desde que nasceram;
Dos nossos gritos que morrem na cama
De partos e sonhos provocados,
Mas sem assistência.

Eduardo Aroso ©
19-7-2015


segunda-feira, 6 de julho de 2015

Sou poeta - também voluntariamente - fora de catálogo. Isso facilita as coisas a quem organiza o catálogo.

Eduardo Aroso
6-7-2015

terça-feira, 30 de junho de 2015

AFORISMOS DE IMANÊNCIA (36)

... e contudo, no meio da voracidade de juros de empréstimos,  nem Platão nem Aristóteles estão a cobrar direitos de autor das suas obras!

Eduardo Aroso
29-6-2015

domingo, 21 de junho de 2015

SOLSTÍCIO DE VERÃO 

É no limite
Que se decide.
Exígua noite
Onde o amor
Dá a curva
Mais acima
Às portas maiores
De Janus e João.
O fogo lavra o céu
Como a água
Fecunda o chão.

Eduardo Aroso ©
2015



quinta-feira, 18 de junho de 2015

CICLOS

Morre-se aqui
Para nascer acolá.
Nenhuma faca corta a vida.

Eduardo Aroso
Abril, 2015

quarta-feira, 17 de junho de 2015

ODE CURTA AO PLUTOCRATA

Não se suspende o poema
Como as pensões de sobrevivência!

Eduardo Aroso
Maio, 2015