segunda-feira, 16 de novembro de 2015

VARIAÇÕES SOBRE UM TEMA DE FERNANDO PESSOA ©
 [ANTÓNIO DE OLIVEIRA SALAZAR.]

António de Oliveira Salazar.
Três nomes em sequência regular…
António é António.
Oliveira é uma árvore.
Salazar é só apelido.
Até aí está bem.
O que não faz sentido
É o sentido que tudo isto tem.
(Fernando Pessoa)

ANÍBAL CAVACO SILVA

Aníbal Cavaco Silva.
Três nomes em sequência definitiva.
Aníbal é Aníbal
Cavaco também é árvore.
Silva é só apelido.
Até aí está bem
(Fora o resto que preocupa…).
O que não faz sentido
É o lugar que ele ocupa.

(Eduardo Aroso)©
 25-10-2015


segunda-feira, 9 de novembro de 2015


PAISAGENS (1) ©

O Outono é o que dele se quer ver. Mas sobretudo é o que é. Julgar que se pisam as folhas, quando elas ainda voam… A extensão do Outono é interrogar uma mutação de claridade. Numa escala larga de tons e microtons, ou seja, de cores definidas e outras bem menos, que apenas vemos como sequências admiráveis. É possível ainda recolher melodias fugazes que chegam aos átrios das aves que se aquietam em ninhos de serenidade.

Eduardo Aroso ©


8-11-2015

domingo, 8 de novembro de 2015

AINDA (E SEMPRE) A QUESTÃO DA POLARIDADE SOL-LUA  ©

A luz da Lua, ainda que nos chegue de outro modo, é na verdade a luz do Sol, como aliás nos explicitou admiravelmente Dane Rudhyard em «O Ciclo de Lunação». O facto de qualquer Tradição Espiritual atribuir ao Sol polaridade masculina e à Lua polaridade feminina, e para além do que se sabe da influência do nosso satélite sobre nós, leva-nos a pensar ainda na importância que tem o chamado «princípio feminino» que, neste caso, se verifica, como veremos, pela sua mobilidade, pelo que não nos custaria aceitar que este movimento de cerca de 4 semanas é como que uma qualidade ou atributo vigilante ou de cuidado que sempre presidiu à experiência maternal.

Todos os corpos celestes têm o seu movimento (até as chamadas “estrelas fixas” ). No caso do nosso Sistema, e ainda quanto ao Sol e à Lua, esta, relativamente ao primeiro, tem para nós habitantes da Terra, um papel de maior movimento e proximidade, e, talvez por isso, dir-se-ia de “assistência imediata”. Sendo que a fonte de luz é o Sol, a verdade é que, durante o movimento da lua nos cerca de 28 dias do ciclo inteiro, operam-se várias mudanças, por certo necessárias, nos domínios geológico, vegetal, animal e humano. Esse papel de maior proximidade, nem precisaria de uma imagem poética para o relacionarmos com a prontidão e também proximidade maternal de quem cuida. Assim, as nuances das 4 fases lunares, durante 4 semanas, contrastam com as mudanças mais lentas da luz solar durante um ano. E não é descabida a analogia do Outono e Inverno ( H.N.) com a fase minguante e a Primavera e o Verão com a fase crescente. Poderíamos ir mais além no alcance do ciclo lunar que, apesar da sua curta mas por certo necessária duração, está na origem dos primeiros calendários, ou seja, o ser humano apercebeu-se da «noção de ciclo», verificando a regularidade de certos fenómenos celestes, quando observava a Lua escura ou quando se ela apresentava cheia. 

A partir daqui – apenas pela observação da natureza cosmológica, portanto, livres de conceitos mais ou menos sociais e políticos - poderíamos fazer várias interrogações sobre o papel da natureza feminina na manutenção e progresso não só dos seres humanos, mas de todos os outros reinos. Alguma dificuldade se coloca, embora ela faça antever uma ampliação muito maior do que hoje se toma pela simples ideia de feminino ou igualdade de género. Inteligente graduação na luz solar, dada pela feminina Lua (seguramente justificação de haver este nosso satélite), que para nós terrestres em evolução (dir-se-ia em crescimento) é sinónimo de assistência imediata e protecção. O que não parece suscitar dúvida, quer pela psicologia quer pela cosmologia, é que as manifestações do princípio feminino, seja como for, estão mais próximas de nós, numa sábia e quase mágica plasticidade de realidades sensíveis e sentimentos. Perante tudo isto, não poderíamos nós, poeticamente, dizer que globalmente «a Lua amamenta» e também uma espécie de seta de intuição que nos leva ao passo seguinte? 

Não é difícil entender por que os grandes autores, no complexo enredo das suas obras colocaram a mulher, no seu exaltado princípio feminino, como guia: Petrarca escolheu Laura; Dante viu Beatriz; Beethoven uma incógnita amada e musa, e, pelo nosso Luís de Camões, é a deusa Tétis que mostra a Vasco da Gama a grande «machina do mundo» (Lusíadas, Canto X, 80).

Eduardo Aroso©

8-11-2015

sábado, 24 de outubro de 2015

TOMAR E OS SINAIS ©

Nas paredes altas
Mistério das dimensões,
Desabrocham árvores
Incrustadas no segredo.
Endócrinas e latejantes,
Arquitectura mais que vegetal.
Os pássaros sem idade e o rio
Despertam cedo
Refrescando o tempo promissor
De haver Portugal.
Na colina do rochedo
Paira o guardião-mor,
Ave
Que não morre;
E sussurra a brisa
Nas conchas invisíveis
Sobre portas talhadas
De outra chave.

Eduardo Aroso ©
Tomar, 23-10-2015



domingo, 18 de outubro de 2015

ABSOLUTIZAÇÃO

Não há limite.
A vida respira sempre:
Deus insiste.


Eduardo Aroso 
Outubro, 2015

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

A QUESTÃO DA “QUEDA” ASTROLÓGICA DO SOL NO SIGNO DE BALANÇA ©
(a propósito do Equinócio de Outono)

Há um ponto obscuro na astrologia, que raros astrólogos explicitam. O SOL em queda em Balança, (HN) há-de referir-se ao SOL não só enquanto VITALIDADE (princípio de todas as coisas vivas),  mas ainda a um sentido profundo do EU. Vejamos o seguinte: Balança é o signo natural da 7ª casa, a dos contratos, uniões, parcerias, entre outros significados. Ora bem,  o espaço da 7ª casa até à 12ª é o hemisfério dos relacionamentos, da vida do EU SOU (1ª casa) com EU SOU COM OS OUTROS, (7ª casa), também chamado hemisfério diurno, enquanto o hemisfério da individualidade, da 1ª casa (Carneiro) à 6ª, Virgem é, simbolicamente, o da CONSTRUÇÃO DA INDIVIDUALIDADE, da PERSONALIDADE.
Quando chegamos a Balança, tempos que VIVER PARA O (S) OUTRO (S), num conjunto de experiências ao longo do tempo (ou vidas, numa perspectiva mais cósmica) que culminam no sacrifício final da 12ª casa (Peixes).
Portanto, a queda do Sol em Balança é, conforme o mito de Sansão, um afrouxamento no plano físico, e espiritualmente TAMBÉM É UMA ESPÉCIE DE AFROUXAMENTO DA INDIVIDUALIDADE EGOISTA. Repare-se que em Virgem, há uma SELECÇÃO OU CRIVO do que deve ficar como resíduo para ser INCORPORADO em Balança. Virgem é o símbolo da análise, do peneirar (por isso espiritualmente o símbolo da pureza), ou seja, extirpar o que não é bom para o ser. Portanto, o Sol que representa a consciência individual, ou seja, o EU SOU, sendo uma qualidade fundamental da individualização evolutiva, não pode ser excessivo e deve modular-se para EU SOU COM OUTROS (7ª casa, cujo regente natural é Balança) ter a sua “queda” egoica, para “se dar” aos outros e sair  mais do plano físico e personalístico. Por isso nesta casa reina o planeta Vénus, que não representa apenas o equilíbrio, as emoções, a estética, mas toda a capacidade de ATRAIR E COOPERAR EM ESPÍRITO DE GRUPO, cujo apogeu será na 11ª casa, regida naturalmente pela oitava superior de Vénus, o planeta URANO.

Obs. O que se disse é simbólico, mas, por isso mesmo, não menos verdadeiro, sendo que não podemos deduzir, pela lógica cartesiana, digamos assim, que quem nasce sob qualquer signo de Carneiro a Virgem é egoísta! É a posição de todos os planetas no mapa astrológico que permite um juízo global do que se disse sobre o sentido dos hemisférios.

Eduardo Aroso   

terça-feira, 22 de setembro de 2015

CENAS E PERSPECTIVAS (DO LADO DE CÁ, OU NÃO, DO TELEVISOR)

Quando olhamos a televisão, dá-se um fenómeno ao qual não tomamos bem o pulso, porque nos habituámos ao «pensamento que não pensa» como disse Heidegger. Seja uma transmissão em directo, seja o que for de ficção: telenovela, filme, ou outro. É quase compulsiva a tendência para tal se encarar numa perspectiva diferente da que seria a de estarmos lá, ou se esses acontecimentos se dessem aqui ao lado, ou mesmo vistos em épocas diferentes. O filósofo português António Telmo (1927-2010) disse algo como isto: se vemos imagens de alguém que já morreu, há mais ou menos tempo, se porventura víssemos essas pessoas de repente no nosso quarto, ou ao dobrar de uma esquina, ficaríamos gelados de medo e acharíamos algo estranho. Todavia, vê-las no ecrã não só não nos assusta, como muitas vezes até gostamos e deliramos!

Assim, temos o ecrã como intermediário entre duas perspectivas, o que tanto pode amortecer como exaltar. O interesse, prazer, ansiedade, numa cena de telenovela ou de um filme, de uma querela familiar, maquinação de negócios, ou cena amorosa – quantas vezes conferindo estatuto de ídolos às personagens – tudo isso reprovaríamos com desdém entre os nossos amigos e vizinhos.

Mas então aquilo não é ficção?! Aqui o virtual e o real. O primeiro deixou de ser IDEAL (no sentido filosófico helénico e até hegeliano) e assim passou-se a uma mera reprodução do quotidiano nos seus aspectos mais caricatos, quantas vezes manifestamente inferiores. O paradigma da não-proximidade lança desafios outros que a imaginação solta e certas convenções não aceitam do lado de cá do televisor ou do monitor perante a internet e agora o facebook com o novíssimo chat.

A nossa mente, que (ainda) mente, como diz o pensador Paulo Borges (1959), é assim simplesmente porque ainda não pensamos bem, não imaginamos as coisas livres do erro, atitude essa que nos está reservada num futuro ainda distante, tal escreveu Max Heindel em «Conceito Rosacruz do Cosmos». Libertar-se do (muito) desnecessário onde nos atolamos diariamente e concentrarmo-nos no essencial, ou como disse um outro filósofo português José Marinho (1904-1975), «no que mais importa», parece ser um caminho seguro. A tragédia do virtual contemporâneo, ainda que nele voem laivos de futurismos, deixou de expressar o IDEAL para ser o “barroquismo” mais rasteiro, onde a ausência de estética e ética, nos deixam cada vez mais atolados. Há, contudo, e sempre, a ave que se ergue das suas próprias cinzas.

Eduardo Aroso ©
Equinócio de Outono, 2015