IN MEMORIAM
As ausências não se devem arranhar
Nem se mitiga o desespero
Em clemências.
Oh, sophia dos mistérios
No labirinto do amor,
Já me segredaste
Esse ponto luminoso,
O pleno calor
De, um dia, o reencontro.
Eduardo Aroso
19-3-2016
Portugal universal; não o efémero que nos amarra como única realidade nos cárceres escuros onde mataram o Sonho. Poemas e textos, alguns publicados em livros e revistas impressos, outros em blogues e os dados a conhecer aqui, para o domínio público, seguindo o rumo da Criação: a obra nunca está definitivamente acabada.
sábado, 19 de março de 2016
terça-feira, 15 de março de 2016
Portugal passa pela Europa, mas não para aí. Quero dizer que não se estaca em Bruxelas ou não se detém em nenhuma Frankfurt a pedir esmola a um banco. A vocação é ir, voltar e recomeçar outra viagem. Guiar-se pela rosa-dos-ventos. Arribar ao porto de espera que há em cada povo e mostrar que Camões, como viu Agostinho da Silva, não queria tanto chegar a Calecut, mas à Ilha dos Amores, isto é, à vindoura idade fraterna.
Eduardo Aroso, 16-3-2016
quarta-feira, 2 de março de 2016
O QUE É O TRIBUNAL INTERNO DA
VERDADE?
«Não ceder a pressões, nem aos afagos, nem às ternuras, nem aos rancores; ser ele; não quebrar as leis eternas, as não-escritas, ante a lei passageira ou os caprichos do momento; no fim de todas as batalhas» (Agostinho da Silva)
Por certo, o TIF não se assemelha aos tribunais civis, onde, em pessoas diferentes, há, pelo menos, a tríade formada pelo acusado, o advogado e o juiz. O TIF existe também antes dos tribunais civis, embora com o avanço da humanidade (leia-se consciência ética) ele possa funcionar cada vez melhor, a não ser que cada pessoa se queira enganar a si mesma no seu próprio julgamento. Assim, no TIF o acusado, supostamente infractor, é o juiz de si mesmo e a sua defesa está em não enganar a consciência, e não havendo verdades absolutas neste mundo tão imperfeito, essa límpida atitude é sempre a verdade pessoal, a que pode ser entendida e praticada. O sol que nos faz bem para a consolidação da vitamina D é o que toca a nossa pele e não o que aquece as escarpas ao meio-dia.
«Não ceder a pressões, nem aos afagos, nem às ternuras, nem aos rancores; ser ele; não quebrar as leis eternas, as não-escritas, ante a lei passageira ou os caprichos do momento; no fim de todas as batalhas» (Agostinho da Silva)
Por certo, o TIF não se assemelha aos tribunais civis, onde, em pessoas diferentes, há, pelo menos, a tríade formada pelo acusado, o advogado e o juiz. O TIF existe também antes dos tribunais civis, embora com o avanço da humanidade (leia-se consciência ética) ele possa funcionar cada vez melhor, a não ser que cada pessoa se queira enganar a si mesma no seu próprio julgamento. Assim, no TIF o acusado, supostamente infractor, é o juiz de si mesmo e a sua defesa está em não enganar a consciência, e não havendo verdades absolutas neste mundo tão imperfeito, essa límpida atitude é sempre a verdade pessoal, a que pode ser entendida e praticada. O sol que nos faz bem para a consolidação da vitamina D é o que toca a nossa pele e não o que aquece as escarpas ao meio-dia.
O TIF funciona também como
conselho consultivo para tomar decisões mais ou menos importantes na vida de
cada um, ou seja, “metabolizados” todos os tratados e leituras, ponderados
todos os conhecimentos, ouvidos todos mestres, cada um se deve submeter ao TIF,
cujas custas, dispensado o dinheiro, só pode ser a coragem de tomar a SUA atitude
e não a de outros, por mais bem adornada que nos chegue. Mesmo quando, mais
tarde, se conclua que o julgamento não foi o melhor, ainda assim se faz jus à
expressão «aprende-se muito com os erros».
Eduardo Aroso
2-3-2016
domingo, 28 de fevereiro de 2016
sábado, 27 de fevereiro de 2016
METAMORFOSES DO BETÃO
IN COIMBRA CITY
Um dia
Os musgos,
Certas plantas
E algumas estranhas flores de lotes...
Subirão latejantes
Pelas paredes em agonia,
Lamentando o destino
De não serem terra,
Junto ao Parque Verde
Ali onde tudo respira
E a esperança nunca se perde.
Coimbra, 26-2-2016
Eduardo Aroso ©
IN COIMBRA CITY
Um dia
Os musgos,
Certas plantas
E algumas estranhas flores de lotes...
Subirão latejantes
Pelas paredes em agonia,
Lamentando o destino
De não serem terra,
Junto ao Parque Verde
Ali onde tudo respira
E a esperança nunca se perde.
Coimbra, 26-2-2016
Eduardo Aroso ©
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016
Miranda do Corvo, 1-2-2016
PAISAGENS (2)
Um a um, os ramos iam caindo como se gente
fosse atirada abaixo de uma varanda, sem que houvesse ímpeto de desprezo ou
belicismo. Ao som estridente da serra mecânica, amontoavam-se no chão, deixando
um alívio no cimo da árvore. Era como o arrumar de uma casa, ou alguém que
retirasse ideias caducas da cabeça que já não podiam dar mais nada. Por fim,
ficou o tronco grosso, frio e hirto, uma espécie de estátua vegetal à espera
que a primavera lhe faça nascer os cabelos e da maquilhagem mais bela: um verde
humedecido de seiva.
Eduardo Aroso
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
HIPERTENSÃO J E HIPERATENÇÃO
Um criador artístico é um
hipertenso, quer os indicadores apareçam, ou não, no respectivo aparelho de
medição. Tudo nele está acima do normal e, com a idade, isto é, a prática e o
ânimo de «dar à luz», pode mesmo aumentar de intensidade. O par da hipertensão
é uma intuitiva hiperatenção mesclada de sentimento estético que acaba por
definir o perfil de artista hipertenso que talvez melhor se defina como um
hiperacordado!
Há dias, alguém me dizia que
vinha do médico cardiologista, relatando-me o sucedido. Para remate de conversa
disse-lhe: - Pois tome lá (se for caso disso) o comprimidinho necessário, mas não
deixe de criar, de continuar a sua obra, mesmo que os outros ainda não a reconheçam
como deve ser. Continue, pois se deixa de o fazer, então é que as suas veias
lhe rebentam de vez, e aí é o cabo dos trabalhos… O homem riu-se, acrescentando
que era mesmo o fim do trabalhos… Ainda me disse: - Antes que as veias rebentassem
morria-me a alma antes do corpo!
Eduardo Aroso
11-2-2016
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